May 16 2012

Regina Di Ciommo

A nova classe média brasileira: o consumo e a participação social.

Não faz muito tempo se aprendia na escola, nas aulas de geografia, que a população brasileira podia ser representada simbolicamente por uma pirâmide, em que a base era formada pelos pobres, a classe D, que constituía a maioria da população. O meio da pirâmide, a classe média, era formada por apenas 25% da população e no pico da pirâmide os poucos 10% que constituíam a elite. Em uma geração, para surpresa dos economistas e políticos, o país mudou tanto que a pirâmide não pode mais ser o símbolo da distribuição social e econômica da população brasileira.

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As famílias com renda entre 3 e 10 salários mínimos, ou seja, aquelas que ganham aproximadamente de R$ 1.200,00 a R$ 5.000,00, formam a nova classe média, ou classe C. Para a maior parte dessa população, essa é uma condição nova, já que esse rendimento foi alcançado recentemente, depois da mudança na situação econômica no país. A maioria dos que hoje tem esse rendimento antes estavam numa situação de pobreza, marginalizados socialmente.

Essa nova classe tem cada vez maior interesse em novas tecnologias e no consumo, aumentando seu padrão de vida e movimentando o mercado brasileiro, desde a indústria até o comércio e os serviços.

Pesquisas da Federação do Comércio e da Fundação Getúlio Vargas demonstram que as antigas classes D e E passaram para a classe C e que esse movimento vai continuar por pelo menos mais oito anos. A classe C passou a ser 50,5% da população brasileira. Esse fato é tão novo que as políticas públicas, a propaganda e os estudos sociais estão sendo refeitos. Segundo a nova situação, 95 milhões de brasileiros se localizam na classe média, o que é a maioria da população. Nos últimos dez anos, 31 milhões de pessoas passaram para a classe média, depois do crescimento econômico conseguido, com acesso ao crédito e aumento da escolaridade.

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Segundo os estudos, isso aconteceu influenciado pelo número de jovens que conseguiram seus empregos, com potencial para consumir e ter acesso a novas tecnologias, como computadores e telefones celulares, além de conseguirem ingressar em faculdades. Entretanto, não deve ser ignorado o grande número de prestadores de serviço que trabalham sem emprego formal, ou carteira assinada, e que tiveram seus ganhos aumentados trabalhando no mercado informal.

A classe C passou a ter maior participação social se comparada com a classe média alta, a classe B e classe alta, a classe A. A classe C influencia as empresas, que precisam se preocupar em atender os hábitos desse público. As estratégias comerciais estão de olho nesse mercado, que movimenta o consumo. Por ser a maior camada social da população brasileira tem um grande poder também na política. Não só decide tendências de comportamento, mas pode decidir uma eleição.

Você pode olhar na tabela abaixo e identificar em que camada social se encaixa, conforme a renda familiar:

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  • Classe E: a mais pobre, com ganhos de até R$ 705,00.
  • Classe D: vai de R$ 706,00 a R$ 1.125,00.
  • Classe C: de R$ 1.126,00 a R$ 4.854,00.
  • Classe B: de R$ 4.855,00 a R$ 6.329,00.
  • Classe A: acima de R$ 6.330,00.

Os analistas econômicos finalmente estão vendo que o Brasil está no caminho certo, mesmo no cenário de uma crise internacional, que afeta muitos países. A participação social de milhões de brasileiros, que passaram para a classe média, com uma vida mais digna, contribui para diminuir as desigualdades sociais. Embora ainda haja muito a ser feito para melhorar as condições de saúde, educação, saneamento básico e habitação, a nova classe média contribui para um crescimento sustentável e está mais consciente de sua cidadania.

 

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Sobre o autor: Regina Di Ciommo

Mestrado e Doutorado em Sociologia pela UNESP – Universidade Estadual Paulista, pós-doutorado em Recursos Naturais com especialização em Ecologia Humana. Pesquisadora da Universidade Estadual da Bahia, em Ilhéus, é professora de cursos de pós-graduação. Autora e coordenadora de projetos de desenvolvimento local e sustentabilidade, nos estados de São Paulo e Bahia.


Discussão

Anonimo August 3, 2012 at 4:15 pm

Esses números estão certos? Classe A é apenas 6 mil e pouco?

E os que ganham bem acima disso?

Guilherme August 6, 2012 at 6:51 am

Aqui estão dados atualizados, segundo a Fundação Getúlio Vargas

Ou seja, acima de R$9.745,00, o céu é o limite, milionários são da classe A.

Classe A: Acima de R$9.745,00
Classe B: de R$7.475,00 a R$9.745,00
Classe C: de R$1.734 a R$7.475,00
Classe D: de R$1.085,00 a R$1.734,00
Classe E: de R$0,00 a de R$1.085,00

*Ajustado pela POF
**Atualizado a preços de julho de 2011

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