setembro 17 2012

Regina Di Ciommo

“Bolha Financeira”, o que é? Será que ela chega ao Brasil? Saiba de forma simples.

A “bolha financeira” é um fenômeno que acontece no sistema financeiro quando existe uma falsa reprodução de capital a partir de um único capital. No final das contas, se empresta ou se lucra a partir do que não existe realmente. A sensação é de ganho, levando a maior consumo e comprometimento com investimentos de risco ou especulação imobiliária, sem nenhuma garantia de liquidez. Quando quem emprestou ou investiu não recebe seus pagamentos, também por sua vez não consegue os recursos necessários para pagar seus empréstimos e compromissos.

Um exemplo de bolha financeira pode ser encontrado no que vem acontecendo nos Estados Unidos, onde a classe média hipotecou suas casas para conseguir dinheiro. Esse recurso era aplicado no mercado de ações, para obter lucro com juros mais altos do que o cobrado pelos empréstimos bancários pagos pela hipotéca. A intenção era ganhar a médio e longo prazo e formar uma patrimônio em ações maior do que o valor da hipotéca. A crise ocorreu quando houve uma desvalorização dos imóveis, com a queda da procura e aumento do desemprego. Os proprietários de ações começaram a não pagar as parcelas das hipotecas, levando as empresas financiadoras a grandes prejuízos e a começarem a pedir os imóveis de volta. Quando os consumidores de imóveis não pagam, os investidores também deixam de receber, já que os recursos são provenientes dos pagamentos que alimentam os fundos de hipoteca. O dinheiro que a classe média investiu em ações veio desses fundos, formado a partir de um mesmo capital imobiliário, dos imóveis, e que foi convertido em capital de ações.

Para amenizar o prejuízo com essa “bolha”, os investidores passaram a vender suas ações, provocando um movimento de maior oferta que a procura e derrubando o valor de cotação de muitas ações. O que acontece é como um efeito dominó, a queda de ações desvaloriza outras ações correlacionadas ou não com imóveis, gerando uma cadeia de desvalorizações sem freio.

Além disso, depois que o efeito da bolha se alastra na economia, investidores com capital começam a emprestar dinheiro a juros zero ou próximos do zero, para levantar os empresários. Isso faz com que muita gente empreste dinheiro para sair de suas dívidas e as ações de risco voltam a subir rapidamente, sem no entanto haver suporte sustentável para isso. A consequência é que nova bolha ainda maior pode surgir e levar a efeitos de especulação perigosos.

A bolsa brasileira de ações opera em conjunto com a bolsa dos Estados Unidos e é afetada por esses efeitos. Os investidores que vendem suas ações levam a uma oferta maior que a procura e baixam as cotações até de ações que somente são operadas no Brasil.

No entanto, a preocupação atual é com os dólares que entram no mercado financeiro. O governo brasileiro vem tomando medidas para tentar segurar o câmbio, desvalorizando o real frente ao dolar. Essas medidas fazem com que a indústria brasileira consiga se manter frente à concorrência dos produtos importados, que com dolar baixo se tornam muito competitivos e atraentes em comparação com os nacionais. Segundo o ministro Guido Mantega, o controle cambial faz com que a bolha financeira não chegue ao Brasil.

Sobre o autor: Regina Di Ciommo

Mestrado e Doutorado em Sociologia pela UNESP – Universidade Estadual Paulista, pós-doutorado em Recursos Naturais com especialização em Ecologia Humana. Pesquisadora da Universidade Estadual da Bahia, em Ilhéus, é professora de cursos de pós-graduação. Autora e coordenadora de projetos de desenvolvimento local e sustentabilidade, nos estados de São Paulo e Bahia.

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Discussão

Marcos Amorim dezembro 23, 2012 at 5:10 am

Parabéns!

O artigo é muito bom. Espero um dia ser igual a você.

samyr abril 14, 2013 at 2:16 pm

Parabéns pela explicação! Ela é muito didática!

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