October 31 2012

Rosangela Lotfi

Dicas para renegociar dívidas





Os casos de inadimplência envolvendo todas as modalidades de financiamento, cheque especial, compras parceladas no cartão de crédito ou nas lojas, e outras modalidades de financiamento como compra de carro alcançaram 41% dos brasileiros de todas as classes sociais. As causas do endividamento são muitas, mas a principal é a má administração das finanças, seguida pelo desemprego.

Não havia crédito disponível e abundante há alguns anos no país e havia uma demanda reprimida. O brasileiro, sobretudo das classe mais pobres, não tem interesse em saber o custo das operações (condições de juros e o impacto sobre o valor final a ser pago), só quer saber se a prestação “cabe no bolso”.

Nelson Barrizzelli, economista do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), recomenda que as as intituições financeiras, em conjunto com os órgãos governamentais, deveriam investir em educação financeira para evitar que a população mais pobre venha a ser prejudicada por endividamentos, e o país tenha uma explosão de inadimplência, o que seria prejudicial para todos. A boa notícia é o número de brasileiros que conseguiram tirar o nome da lista de inadimplentes bateu recorde De janeiro a setembro de 2012, de acordo com pesquisa do Serasa Experian. No total cerca de 15,1 milhões de consumidores
regularizaram suas pendencias financeiras, um aumento de 13,7% em relação ao mesmo período do ano passado.

Em média, o consumidor tem entre quatro, cinco dívidas e para deixar a lista precisa renegociarar o pagamento de todas contas atrasadas. O bom momento vivido pelo mercado de trabalho no país, com as taxas de desemprego em patamares historicamente baixos e ganhos salariais acima da inflação, está motivando as pessoas a quitar suas dívidas. Além disto, pela expressiva elevação da inadimplência a partir do início do ano passado, há uma conjuntura muito propícia à aproximação entre quem está devendo e quer pagar e quem está com débitos em haver e quer receber, afirma Ricardo Loureiro, presidente da Serasa Experian e da Experian América Latina. Exemplo dessa conjuntura favorável é o Feirão Limpa Nome –iniciativa do SerasaConsumidor. “O crédito alavanca a economia e a inadimplência sufoca, compromete o crescimento e atrapalha o sono do brasileiro. Restabelecer o crédito, influencia positivamente a economia do país.”, afirma Loureiro

Para quem já está endividado ou inadimplente e perdeu o controle das dívidas, o primeiro passo é buscar a renegociação. Um bom momento é aproveitar quando receber o 13º salário e organizar a vida financeira. O próprio consumidor deve entrar em contato com os credores, sem precisar contratar serviços de terceiros. Mas algumas dicas podem ajudar:

1º Antes de renegociar, faça as contas e leve anotada uma proposta dentro do seu orçamento. Dica: Jamais recorra ao cheque especial ou a empréstimos com taxas muito altas. Busque opções mais baratas, como o crédito consignado, por exemplo.
2º Na hora de renegociar, leve as contas em atraso, cartas de cobrança e outros documentos que possam ajudar na negociação.
3º Avalie com calma as suas reais condições financeiras para pagar as dívidas: se você precisa de prazo, de desconto, ou das duas coisas.
4º Fale abertamente com o atendente que irá avaliar o seu caso, deixando claro os motivos que fizeram você deixar de pagar as contas.
5º Ouça a proposta que o atendente irá lhe apresentar e, caso você não esteja acessível a você, procure apresentar uma sugestão mais próxima das suas condições.
6º Ao fechar a renegociação, lembre-se sempre de pegar o comprovante que formaliza o acordo sobre o pagamento da dívida.
7º Não caia no golpe de supostas empresas que dizem recuperar o seu crédito de maneiras milagrosas.
8º As únicas formas de regularizar uma dívida são efetuando o pagamento ou fazendo um acordo formal com a empresa credora.
9º A renegociação de dívidas mostra que você quer pagar o que deve e é o único caminho para a solução de seus problemas financeiros. Valorize essa oportunidade e cumpra o acordo realizado.

A expectativa de economistas é que seguindo esses passos o consumidor, além de quitar suas dívidas comece a se preocupar com o custo do dinheiro, que conheça seu orçamento e não caia na armadilha do descontrole financeiro. É um começo para educar-se financeiramente.

Sobre o autor: Rosângela Lotfi

Rosângela Lotfi é jornalista especializada em economia e negócios, mas com múltiplos interesses. Possui experiência e atua em mídias impressas [jornais, revistas] e internet, nos quais produz conteúdos informativos e insitucionais. Atua também como ghostwriter (www.theghostwriterblog.wordpress.com)