October 18 2012

Regina Di Ciommo

Os juros mais baixos e a queda da inadimplência em 2012

O instituto Boa Vista Serviços, que administra o SCPC, Serviço Central de Proteção ao Crédito, divulgou os resultados de sua pesquisa “Mercados – Endividamento e Inadimplência – 2012”, no final do mês de setembro. O SCPC é sistema que centraliza as informações sobre pessoas físicas e empresas devedoras.

A pesquisa trouxe notícias animadoras com relação à situação financeira dos consumidores brasileiros, que já haviam sido notadas por vários economistas. Em comparação com 2011, quando os juros eram mais altos, a inadimplência cresceu em ritmo inferior. No ano passado o comprometimento dos rendimentos do consumidor eram maiores, ao contrário do atual período da economia.

As dívidas com cheques sem fundo diminuíram, como também, dívidas com cartões de crédito, crediário em lojas, empréstimos, serviços de telefone e fornecimento de água e luz, que caíram com variações de 2% a 15%. Entretanto, valor médio das dívidas em cheques sem fundos teve alta de 12%.

Também a redução dos títulos protestados foi notável, com uma queda de 28,6%. Somente as dívidas com bancos permaneceram com alta de 1,4%. Entretanto, o valor médio dessas dívidas diminuiu 1,9% entre janeiro a setembro de 2012, em comparação com 2011.

Apesar de ter se beneficiado de um aumento de renda nos últimos anos, com acesso a bens de consumo e serviços a que antes não conseguia chegar, boa parte da classe média não está conseguindo administrar seu orçamento para fugir das dívidas. Um total de 23% dos consumidores que tem o nome sujo nos órgãos de proteção ao crédito pertence à classe C. Quando são analisados todos os consumidores do Brasil, o resultado é de 19% em situação de inadimplência.

Com 21% de representantes com o nome sujo, estão as classes D e E. Nas classes altas também se encontram devedores inadimplentes, com um índice de 5% na classe A e 13% na classe B.

Um dado alarmante constatado pela pesquisa é de que 58% dos entrevistados não pagam a fatura integral do cartão de crédito no final do mês, o que geralmente leva a situações insustentáveis devido aos juros altos praticados pelas operadoras dos cartões. Além disso, a maioria dos consumidores possui mais de 2 cartões de crédito, utilizando-os para contratar essa modalidade de empréstimo. Quando as dívidas se avolumam 46% dos entrevistados declarou que resolve a situação renegociando o valor e o prazo com a financeira.

A facilidade com que são adquiridos e utilizados os cartões de crédito trouxe uma situação desafiadora e nova para o consumidor da classe média brasileira, que muitas vezes não percebe o risco que corre ao não quitar o valor de seus débitos todos os meses, refinanciando o total das faturas.

A equipe de economistas da Serasa declarou que a queda da inadimplência se deve a um período positivo, depois que caíram as taxas de juros, inclusive a dos cartões de crédito e aumentou o interesse em renegociar as dívidas. Um fator que também contribuiu para diminuir a inadimplência foram os valores recordes nas restituições do Imposto de Renda.

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Sobre o autor: Regina Di Ciommo

Mestrado e Doutorado em Sociologia pela UNESP – Universidade Estadual Paulista, pós-doutorado em Recursos Naturais com especialização em Ecologia Humana. Pesquisadora da Universidade Estadual da Bahia, em Ilhéus, é professora de cursos de pós-graduação. Autora e coordenadora de projetos de desenvolvimento local e sustentabilidade, nos estados de São Paulo e Bahia.

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