abril 11 2012

Rodrigo Leone

Os axiomas de Zurique – Max Gunther


Gunther, Max. Os axiomas de Zurique, 20ª Ed. Rio de Janeiro: Record, 2008.
Título original: The Zurichs axioms

O livro “Os axiomas de Zurique” trata de estratégias de investimentos, principalmente em renda variável. Pela palavra “axioma”, o autor quer dizer “dogma”, de forma que o livro, em sua essência, visa a apresentar aos leitores os métodos, orientações, idéias e regras, tidas como infalíveis, para diminuir os riscos nos investimentos, aumentar os lucros e ficar rico. Pela palavra “Zurique” o autor se refere à Suíça, país natal dos banqueiros que estabeleceram essas regras.

O livro se divide em 12 “axiomas” principais e 16 secundários. Segue lista dos principais e nossos comentários a respeito de alguns deles.

Primeiro Axioma: Risco

Preocupação não é doença, mas sinal de saúde. Se você não está preocupado, não está arriscando o bastante.

Comentário: desse mesmo axioma, podemos formular o caso simétrico, que preferimos: Preocupação não é doença, mas sinal de saúde. Se você está preocupado demais, então está arriscando mais do que o tolerado para seu perfil. Costumamos dizer que se você não consegue dormir tranqüilo à noite, preocupado com sua posição no mercado, é melhor rever essa posição, pois o risco não deve se sobrepor à qualidade de vida.

Segundo Axioma: Ganância

Realize o lucro sempre cedo demais.

Comentário: concordamos com esse axioma. Não é preciso esperar até o topo do movimento, ou seja, até o preço da ação estar esticado demais, para sair da operação. Eu prefiro realizar os lucros de acordo com os objetivos que tracei, mesmo que o lado comprador da ação ainda se mostre com alguma força. Claro que se a ação estiver com muita força compradora, você pode rever seu objetivo.

Terceiro Axioma: Esperança

Quando o barco começar a afundar, não reze. Abandone-o.

Comentário: concordamos com o axioma. Não acho razoável ficar aguardando ou esperando uma reversão de tendência se todas as conjunturas apontam para a continuação da queda.

Quarto Axioma: Previsões

O comportamento do ser humano não é previsível. Desconfie de quem afirmar que conhece uma nesga que seja do futuro.

Quinto Axioma: Padrões

Até começar a parecer ordem, o caos não é perigoso.

Comentário: minha leitura desse axioma (e se for isso mesmo, eu concordo com ele) é a seguinte: no curto prazo, os movimentos não têm fundamentos, nem seguem uma ordem. Quando os movimentos passam a seguir uma ordem, é porque todos já sabem o que vai acontecer e essas previsões já foram precificadas nas cotações das ações. Ou você já entrou e vai lucrar, ou não faz mais sentido entrar.

Sexto Axioma: Mobilidade

Evite lançar raízes. Elas tolhem seus movimentos.

Comentário: concordo. Seja em ações ou em outros investimentos, mesmo na empresa da qual é fundador, acredito que tudo tem seu preço. Ter raízes significa não ter flexibilidade. Não ter flexibilidade significa perder oportunidades ou ser engolido pelas ameaças.

Sétimo Axioma: Intuição

Só se pode confiar num palpite que possa ser explicado.

Comentário: concordo. Acredito que a intuição é importante, mas ela precisa estar fundamentada. Não acredito na intuição daqueles que não têm competência (não têm conhecimento teórico, nem habilidade prática). O mesmo vale para um palpite.

Oitavo Axioma: Religião e Ocultismo

É improvável que entre os desígnios de Deus para o Universo se inclua o de fazer você ficar rico.

Nono Axioma: Otimismo e Pessimismo

Otimismo significa esperar o melhor, mas confiança significa saber como se lidará com o pior. Jamais faça uma jogada por otimismo apenas.

Décimo Axioma: Consenso

Fuja da opinião da maioria. Provavelmente está errada.

Décimo Primeiro Axioma: Teimosia

Se não deu certo da primeira vez, esqueça.

Comentário: esse axioma parece rigoroso demais. Acredito que podemos tentar outra vez, sim. Mas isso só deve ser feito se o que está sendo tentado tiver fundamento.

Décimo Segundo Axioma: Planejamento

Planejamentos a longo prazo geram a perigosa crença de que o futuro está sob controle. É importante jamais levar muito a sério os seus planos a longo prazo, nem os de quem quer que seja.

Comentário: não concordo. Para mim, planejar não é definir o que vai acontecer. Planejar é traçar um norte, antecipar os problemas e as oportunidades e estar preparado para o que quer que aconteça. Se você tem um sistema de acompanhamento e tem flexibilidade, você poderá abandonar o barco se for preciso, mesmo que o planejamento tenha sido para o longo prazo. Eu acredito que longo prazo é diferente de negligência.

 

Por: Rodrigo Leone – Blog Vou Investir

 

Sobre o autor: Rodrigo Leone

Rodrigo Leone é doutor em Otimização, mestre em Matemática e especialista em Administração Financeira. Consultor financeiro pessoal e empresarial. É redator-chefe do Blog Vou Investir do Diário de Pernambuco e também professor do mestrado profissional em Administração da Universidade Potiguar (RN) e do Ibmec (RJ).

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