Quer Empréstimo?
A recente reportagem de capa da revista EXAME[1], denominada O CONSUMIDOR NO VERMELHO, traz dados alarmantes!
De acordo com a reportagem, o Brasil se transformou numa espécie de pátria das parcelas, revelando que o modelo de vendas das “Casas Bahia”, ou seja, de concessão de crédito no varejo por venda a prazo, com o slogan “Quer pagar quanto?” entrou no imaginário popular ao descrever um mundo em que tudo era acessível, desde que as prestações coubessem no orçamento mensal.
Essa solução inicialmente voltada a consumidores de baixa renda, dentro de um cenário econômico estável (consolidado em 2004, após 10 anos de Plano Real) [2], no qual as amarras da concessão do crédito foram sendo soltas; aliado à falta de planejamento financeiro, cujas origens remontam às décadas de inflação alta no Brasil, podem ter sido os ingredientes decisivos para um comportamento consumista, desorganizado e irresponsável. Esta pode ser a causa do endividamento de muitos!
A economista Mônica Baumgarten diz que “O governo precisa lidar o quanto antes com o risco de super endividamento da população”. A reportagem completa afirmando que nada, até agora, foi capaz de diminuir o ímpeto do brasileiro, que continua rasgando dinheiro – de preferência, em 72 vezes sem juros
Preocupado com essa situação, lançamos um desafio para você resolver esse problema, sair do vermelho, passando a planejar melhor o seu orçamento mensal.
1º PASSO:
Divida uma folha de papel ao meio relacionando, de um lado, quanto você ganha, e do outro, quanto você gasta. Nada de planilhas eletrônicas, com lápis, borracha, papel e calculadora na mão, você poderá verificar, dia-a-dia, como andam os seus gastos.
No lado das despesas, comece relacionando as essenciais, sem as quais você não pode viver, tais como água, luz, gás, …, ops, não inclua ainda o telefone! Depois coloque as despesas com moradia, aluguel ou prestação da casa, condomínio, IPTU, empregada (se houver) e estime suas despesas com o supermercado. Agora coloque as despesas com você e sua família, planos de saúde, remédios, escola, faculdade, cursos, academia, TV por assinatura (será que é necessário?), telefone fixo e celular (cuidado aqui!), tarifas bancárias etc. Para cada fase é importante você verificar qual a fatia do seu salário que essas despesas representam e começar a raciocinar com cortes, caso elas estejam altas! Relacione as despesas pessoais como salão, cabeleireiro, vestuário; as despesas com transporte, como ônibus, metrô, combustível, manutenção do carro etc. Faça também uma estimativa de despesas com lazer, passeios, bares, restaurantes, viagens planejadas, pois, afinal de contas, ninguém é de ferro! Finalmente, pegue todos os seus carnês e relacione as suas dívidas, a prestação do carro (é possível viver sem esta!), da casa, TV, geladeira, fogão e dos empréstimos! Relacione também os saldos devedores do cartão de crédito e as despesas com o cheque especial. Será que as suas prestações representam mais do que 25% do que você ganha? Se isso acontecer prepare-se para mudar de atitude porque, provavelmente, você está endividado!
Leia também: Introdução: Como sair do vermelho.
Você não pode gastar mais do que ganha, essa regra é básica! Se isso acontecer, reveja tantas vezes quanto necessário o 1º PASSO, fazendo cortes, até que, no mínimo, a conta “receita menos despesas” fique igual a zero!
Se você estiver muito endividado, pense também na possibilidade de juntar todos os saldos devedores de suas dívidas numa prestação só. Neste caso, talvez, o crédito consignado seja uma boa saída pra você se livrar do cheque especial e da dívida do cartão de crédito, os mais caros do País, nos quais os juros ultrapassam os 180% ao ano 3 !
2º PASSO:
Mudança de atitude. Empréstimo custa caro, e você deve saber disso. Vale à pena pegar R$ 5.000,00 para comprar, por exemplo, uma TV nova, LCP ou plasma, de 51 polegadas?
Considerando o exemplo, se você tomar emprestado R$ 5.000,00 em 24 vezes de R$ 276,28, vai pagar, ao final, R$ 6.630,81, ou seja, R$ 1.630,81 de juros. Será que compensa? Neste caso, se você guardar R$ 276,28 por mês, em 18 meses, você poderá comprar, certamente, uma TV melhor, maior e até mais moderna pelos mesmos R$ 5.000,00, podendo juntar os outros 6 meses para adquirir um home theater pelos R$ 1.630,81 que você iria pagar de juros. Veja que, neste caso, o “juros” que você iria pagar, no primeiro caso, já virou conforto! Pegar dinheiro emprestado significa antecipar planos e, como cita a reportagem, isso custa caro, juros! Por isso, só antecipe sonhos que possam realmente valer à pena como, por exemplo, o sonho da casa própria.
Leia mais sobre riqueza: O que é ser rico pra você?
3º PASSO:
De endividado a equilibrado, de equilibrado a investidor. No mundo inteiro, pelo menos no que diz respeito à economia doméstica, podemos dividir as pessoas em 3 grandes grupos: endividados, os equilibrados e os investidores. Sim, você pode se tornar um investidor!
O primeiro grupo, dos endividados, são representados por aqueles que gastam mais do que ganham e terminam o mês sempre no vermelho; os equilibrados, por sua vez, gastam tudo, mas só o que ganham; e finalmente os investidores são os mais sábios, que poupam, tem planos de previdência complementar, investem em fundos de renda fixa, na bolsa, ou seja, conseguem planejar o futuro. Mas como eu posso me tornar um investidor? É bastante simples, não importa o quanto você ganhe, planeje seu orçamento doméstico já retirando, no início do mês, uma pequena parte (sugestão: 10%) para investir em poupança, previdência ou outros investimentos, e não gaste mais do que sobrou para o mês inteiro. Pronto, com alguns ajustes no seu orçamento você já pode se tornar um investidor!
CONCLUSÃO
Uma vida de investidor, certamente, é uma vida mais tranquila, onde sempre haverá espaço para uma emergência, uma viagem, um noivado, um casamento, uma lua de mel, o futuro dos filhos ou mesmo para dar uma boa entrada no sonho da casa própria. Saiba que com uma atitude simples, mas importante e decisiva, você pode colocar as contas em dia e passar a utilizar a calculadora a seu favor, planejando, sonhando. Tenha um bom dia e seja feliz!
Opine, palpite, deixe seu recado!
Um forte abraço a todos e até a próxima.
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Fontes: [1] Reportagem de Capa. O Consumidor no Vermelho. Revista EXAME, Edição 997, Ano 45, Nº 14, de 10/8/2011
[2] O Plano Real entrou em vigor em 1º de julho de 1994.
Referência: Reportagem de Capa. O Consumidor no Vermelho. Revista EXAME, Edição 997, Ano 45, Nº 14, de 10/8/2011.
Everton Ricardo de Almeida é graduado em Gestão da Qualidade, leitor compulsivo, um eterno estudante e adora compartilhar idéias sobre finanças e investimentos. Investe em imóveis há 10 anos. Atua como conselheiro financeiro para amigos e parentes. Autor e responsável pelo blog Finanças Forever – www.financasforever.com.br
Sobre o autor: Everton Ricardo
Everton Ricardo de Almeida é graduado em Gestão da Qualidade, leitor compulsivo, um eterno estudante e adora compartilhar idéias sobre finanças e investimentos. Investe em imóveis há 10 anos. Atua como conselheiro financeiro para amigos e parentes. Autor e responsável pelo blog Finanças Forever
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