Redução de juros vai trazer vantagens para pequenas e médias empresas.
Repercutiu positivamente no Brasil a notícia da redução dos juros absurdos da economia brasileira. É claro que somente foi criticada pelo sistema financeiro bancário, que passa a lucrar um pouco menos. As iniciativas prontamente tomadas por bancos oficiais, seguidos de algumas instituições privadas provou que havia folga para essa medida fosse tomada até há mais tempo. Assim o Brasil deixou de possuir a maior taxa de juros do mundo, o que era um título em nada vantajoso, e esse “honroso” lugar passou agora para a Rússia.
No dia 18 de abril, através do COPOM, o Banco Central decidiu diminuir a taxa de juros básica da economia brasileira, de 9,75% para 9%. As taxas passaram a se aproximar daquelas em vigor em 2010, que eram de 8,75% ao ano. Segundo os economistas isto se deve mais ao contexto de crise mundial, com a redução dos preços dos produtos com cotação internacional (commodities) e a presença de investimentos estrangeiros, que fogem da Europa e buscam mercados emergentes como o Brasil. O país continua a depender do ambiente financeiro externo.
O Banco do Brasil iniciou a série de medidas para baixar as taxas de juros, seguido pela Caixa, HSBC e o Santander. Posteriormente os dois maiores bancos privados do Brasil, Bradesco e Itaú diminuíram suas taxas e o Banco do Brasil reduziu novamente suas taxas para pessoas físicas e empresas.
Pequenas e médias empresas vão perceber o aumento da competição entre os bancos para captar clientes. As instituições estão interessadas em trocar dívidas por empréstimos com juros mais baixos. A competição pelos clientes obriga os bancos privados a também baixarem suas taxas de juros para empréstimos, o que beneficia os clientes endividados. As dívidas nos bancos privados serão reescalonadas nos bancos públicos com taxas mais favoráveis, como é o caso do que vem sendo feito pelo Banco do Brasil ou na Caixa. É possível saldar a dívida e passar a dever para outra instituição. Mas devemos salientar que, apesar do muito que se tem falado da queda na taxa básica de juros, o impacto na vida do consumidor é pequeno. O cheque especial e os cartões de crédito continuam com taxas muito altas, diminuindo apenas de 1 a 1,2% ao mês. O que ocorreu foi uma pequena variação, incapaz de pesar realmente no dia a dia.
É claro que os juros altos dificultam o crescimento da economia, já que fica caro tomar empréstimos para produção industrial e ao mesmo tempo o consumidor reduz seus gastos, quando o crediário fica mais caro. Juros menores, ao contrário, estimulam a produção e o consumo, melhorando o PIB (Produto Interno Bruto), desde que a inflação esteja sob controle.
Os aposentados poderão se beneficiar das medidas. O Banco do Brasil diminuiu a taxa do empréstimo consignado, que era de 0.85% e foi para 0,79% ao mês. Atualmente 61,18% dos aposentados, ou cerca de 14 milhões, o que é um grande contingente, tem um contrato de empréstimo consignado.
O governo já avisou que a redução dos juros não será maior porque juros menores afastam investidores de papéis que sustentam a dívida pública, como fundos de renda fixa e títulos do Tesouro Nacional, comprometendo o seu pagamento. O que é questionável, de acordo com os economistas.
Sobre o autor: Regina Di Ciommo
Mestrado e Doutorado em Sociologia pela UNESP – Universidade Estadual Paulista, pós-doutorado em Recursos Naturais com especialização em Ecologia Humana. Pesquisadora da Universidade Estadual da Bahia, em Ilhéus, é professora de cursos de pós-graduação. Autora e coordenadora de projetos de desenvolvimento local e sustentabilidade, nos estados de São Paulo e Bahia.
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